Entrevista com Rafael Hansen: vamos falar sobre hábitos?

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Conversamos com o empreendedor Rafael Hansen, sobre rotina, hábitos e objetivos. Descubra como é a gestão de tempo do CEO da Setta e confira algumas dicas para aplicar no seu dia a dia.

Como é a sua rotina? 

Sou movido a hábitos. Apesar de não gostar de ter uma rotina “fixa”, com horários “fechados”, gosto de trabalhar de acordo com minha energia em cada determinado momento. Tenho uma rotina em termos de hábitos. 

Tem dias que acordo com pouca energia, e depois do meu “ritual matinal” vou dar uma caminhada. Tem dias que já pego minha tarefa mais difícil logo de cara. Então pode parecer um pouco contraditório mas faz sentido: gosto de ter a flexibilidade de obrigações para realizar minhas prioridades de acordo com minha energia.

Mas aprendi que não podemos ter tanta flexibilidade, senão acabamos procrastinando. O que faço, então? Organizo meu dia em 3 momentos: raiar do sol, manhã e tarde (não é à toa que o app é assim!). Dentro desses momentos, eu organizo minhas tarefas priorizadas e hábitos. 

Sendo assim, eu sei quais hábitos tenho que fazer de manhã, e quais projetos ou tarefas vou escolher para me dedicar neste período. Isso me dá liberdade para seguir minhas vontades. 

Quais hábitos você costuma inserir na semana?

Acordo, tomo uns 700 ml  de água e, em seguida, um banho gelado. Isso faz o corpo e mente começarem a funcionar.

Em seguida, quando não vou direto fazer exercício (essa era minha rotina na época que estava prestes a fazer a prova do Ironman), eu medito por, no mínimo, 10 minutos. Tem dias em que esses 10 minutos são bem difíceis. Em outros, faço 25 sem problema nenhum. O importante é manter a constância (principalmente quando está difícil).

Na época em que eu realizava os treinos para o Ironman, eu considerava o exercício meu espaço de “meditação”. Fazia os primeiros 10 a 30 minutos sem música e com foco apenas no momento presente. Era uma meditação em movimento.

Um hábito que me ajuda muito (mas às vezes não tenho constância) é o exercício de escrever no meu caderno Setta. Antes, fazia o mesmo em uma página em branco. Agora, o Life Journal facilita as coisas. 

Um pouco diferente do exercício proposto no caderno, eu também gosto de simplesmente pensar (usando papel e caneta) antes de priorizar minhas tarefas para o dia. Botar as ideias para fora, os medos, as vontades, os pensamentos negativos, os sentimentos que nem sei o que são, até botá-los no papel. 

No final desse exercício, já vou “migrando” para um pensamento mais voltado para prioridades do dia, com a cabeça mais limpa. Aí sim, preencho meu Life Journal Setta com tarefas para executar e o exercício de positividade. Neste, sempre tento pensar no meu objetivo macro para priorizar tarefas que realmente façam sentido na minha “jornada”.

No restante do dia, tento ser o mais intencional possível, sem me “render” às tentações externas de procrastinar, lendo matérias aleatórias ou preenchendo o tempo com redes sociais. Para isso, eu gosto de fazer cronometrar entre 20 a 60 minutos para focar em apenas uma tarefa (como estou fazendo agora).

Às vezes é difícil, mas vejo que isso me traz muito mais satisfação na jornada do que fazer micro tarefas. 

Também tento reservar uma hora para leitura por dia. A qualquer momento, estou lendo uns 30 livros diferentes. Gosto desta interseção entre disciplinas. Leio com bastante calma, fazendo anotações. 

À noite, normalmente depois das 19h, eu me desligo completamente do celular e aproveito o tempo em família. Normalmente vemos um seriado e jantamos. 

Como deve ser o processo de priorização diante de imprevistos e distrações?

E-mail é sempre um problema em minha vida. Recebo pelo menos uns 50 deles por dia. Dentre eles, há uns 20 a 30 que demandam algo a respeito para fazer, e sinto que isso suga muito minha energia. O que me esforço para fazer é não abrir o e-mail com frequência, e sim reservar alguns blocos de tempo (30 minutos de manhã e 30 a tarde, no mundo ideal) para me dedicar a isso.

Normalmente, separo meus dias entre dois tipos de “mentalidade”: 

A. GSD hitlist: não sei o porquê, mas botei esse nome feio de “get shit done” e hitlist sendo o que eu tenho que “matar”.

B. Creative mode: tempo sem interrupções de mensagens, e-mails, reuniões…para focar na parte criativa. Pode ser escrever um texto, pensar na estratégia da empresa, ler um livro, ter ideias malucas de negócios, etc. Neste momento, não tenho tantas obrigações e faço o que estou com maior vontade. 

Infelizmente, o lado “A” é normalmente mais urgente e acaba demandando mais tempo. Apesar de saber que o “B” é mais importante e me faz sentir melhor. Então essa priorização é sempre algo que tento fazer ativamente, optando por coisas importantes, mas não urgentes nesses blocos de tempo.

Tenho uma rotina muito estruturada e, ao mesmo tempo, flexibilidade para fazer o que quero fazer no momento, dependendo de minha energia e das prioridades/urgências. É um luxo que faço de tudo para cativar, então raramente vou dizer “sim” para um novo projeto ou obrigação se vou perder esse mindset. Ele é crucial para fazer o meu melhor trabalho e me sentir bem. 

Como seus hábitos ajudam no alcance de suas metas e objetivos?

Os hábitos e organização do meu lifestyle me permitem ter a satisfação no dia a dia, ao mesmo tempo que faço o meu melhor trabalho. Vejo que eles me dão a estrutura necessária para performar melhor, e alcançar meus objetivos externos.

Tenho estas duas bússolas: uma interna (que mensura meu bem-estar e realizações pessoais), e outra externa (que mensura minhas realizações na visão de terceiros). As duas são cruciais para todos os seres humanos, mas é importante priorizar a primeira – se sentir bem na jornada com você mesmo. Fazer um trabalho bem feito, simplesmente por fazer bem feito. Essa satisfação interna de ter dado seu melhor (curtindo isso) é mais importante que qualquer reconhecimento externo. 

Se você tivesse que eliminar todos os hábitos do seu dia com exceção de um, qual seria?

Eu diria que seriam os exercícios físicos. Depende de qual é o objetivo do momento, mas os exercícios servem tanto para desconectar (acabar o dia e começar um momento de bem-estar) quanto conectar (para ligar o corpo, ganhar produtividade).

Existe algum hábito que você gostaria de adotar, mas ainda não o implementou no dia a dia?

Sou muito disciplinado na estruturação de novos hábitos, então estou sempre testando coisas novas e aperfeiçoando as antigas.

Hoje estou me dedicando mais nesta organização mental dentro do dia, separando minhas atividades entre operacionais e criativas. Isso requer uma organização profunda de tempo, priorização em linha com os objetivos, e, claro, disciplina para superar diversos vícios mentais. 

Quais dicas você daria para quem quer implementar hábitos difíceis (como começar a se exercitar) e ainda sente resistência em manter a regularidade de suas práticas?

Ir exercitando esse músculo da disciplina e de se sentir bem, reconhecer a realização de ter realizado os hábitos que você quis. 

Na prática, botar lembretes (post its, papéis ao lado da cama…), tornar sua organização visual e fazer isso junto com um amigo (para se cobrarem) podem ser ferramentas que ajudem.

Por fim, quando não tiver motivação, se lembrar do que você quer alcançar realizando seus hábitos. Pense nessa sua versão futura e faça isso por ela. Você merece.

Equilibre o tempo fazendo coisas para o “você de hoje” e para o “você de amanhã”. Encontre a satisfação em alguns momentos. Em outros, é preciso sacrificar uma recompensa imediata em prol do ganho futuro.

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