Como se lembrar melhor daquilo que você lê?

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Há cerca de 5.000 anos, o cérebro humano fez um grande avanço: com base em circuitos neurais que já podiam interpretar arranhões em blocos de argila e símbolos em pinturas rupestres, ele desenvolveu a capacidade de conectar os sons da linguagem falada às marcas visuais abstratas, que nós chamamos de “sinais” ou “palavras”. 

Basicamente, foi aí que os seres humanos começaram a aprender a ler.

O ato de ler representa um turbilhão na atividade cerebral, envolvendo não apenas o sistema visual e auditivo, mas circuitos neurais que constroem significado, evocam emoções e codificam a memória. 

Isso significa que, quando você lê algo, seu cérebro faz muito mais do que simplesmente decodificar e compreender as palavras à sua frente: ele permite que você tenha empatia por pessoas que nunca conheceu, se envolva com ideias que o inspiram, e imagine outros mundos e cenários (como acontece quando lemos um romance ou uma história de ficção).

Isto, é claro, se você conseguir se lembrar do que leu.

Por que seu cérebro se esquece do que leu?

Para você, ler é um processo automático. Embora seus olhos estejam passando rapidamente da esquerda para a direita neste momento, você mal está parando para pensar no significado de cada palavra. Você pode até chegar ao final deste parágrafo e perceber que não consegue se lembrar exatamente de nenhum dos anteriores.

Se este é seu caso, você não está sozinho. Um artigo científico escrito por Ziming Liu (professor de Ciência da Informação na San Jose State University), estudou o comportamento de leitura de muitas pessoas, observando que, quando lemos um texto digital (ao contrário de palavras impressas), tendemos a passar os olhos de uma forma menos cuidadosa. 

À medida em que as telas ocupam uma presença cada vez maior em nossas rotinas, esse tipo de “leitura distraída” se tornou comum, de acordo com a neurocientista cognitiva Maryanne Wolf, autora do livro: “O Cérebro no Mundo Digital”.

Com base na própria pesquisa de Wolf, ela acha que essa forma apressada de leitura tão característica dos dias de hoje está tirando muitos benefícios e prazeres de um dos maiores saltos evolutivos da humanidade. Também explica por que tantas pessoas lutam para lembrar do que leram.

“Para entender por que tantas vezes esquecemos o que lemos, precisamos entender o que está acontecendo nos cérebros de leitores atentos e distraídos”, explica Wolf. Leitores engajados estão constantemente fazendo associações entre o que estão lendo e o que já sabem, avaliando como o material se encaixa em suas experiências anteriores. 

Quem se envolve com a leitura também está tentando decidir se acredita ou concorda com o conteúdo escrito e, muitas vezes, essas pessoas acabam até assumindo a perspectiva de outras. Você já passou por isso ao ler um livro ou estudar algum assunto interessante?

Quando você tenta ler um texto mais rápido, ou não se concentra muito nas palavras à sua frente, seu cérebro não está processando informações em um nível que permite essa análise crítica. 

“Estar distraído e com pressa também prejudica nossa capacidade de formar as associações de que precisamos para manter as informações permanentes”, diz Wolf. “Você terá alguma memória disso. Mas em um nível mais profundo, você não teve tempo para consolidação ”. A consolidação nada mais é do processo neurológico de codificação de uma experiência como uma memória.

É possível “driblar” o esquecimento?

Esquecer parte do que lemos não é tão ruim assim. Na verdade, seu cérebro precisa desse recurso para funcionar em um mundo complexo. Há tanta informação no nosso dia a dia que não podemos processar todas de uma vez.

A sua atenção é uma ferramenta importante para filtrar essas informações, separando aquelas que entram em nossa memória das que não entram. O truque é fazer com que a atenção e a memória trabalhem juntas enquanto lemos, permitindo selecionar os elementos que queremos lembrar.

Um experimento feito por Monica Rosenberg (neurocientista cognitiva da Universidade de Chicago) indicou que, quando alguns voluntários foram solicitados a ler passagens da história grega, aqueles cujos padrões de atividade cerebral refletiam uma atenção mais focada eram melhores em reter o que leram.

A lição é simples: se você quiser se lembrar mais do que leu, faça o possível para eliminar as distrações enquanto encara o material de leitura.

“Muitas vezes, me pego tentando ler um artigo”, diz Rosenberg, “mas então volto ao meu e-mail, ou talvez meu aluno chegue e conversemos sobre projetos de pesquisa, e vou me lembrar menos do que li”.

Quais práticas ativam a retenção de informações?

Para Wolf, eliminar distrações significa ficar offline, longe do e-mail e de todas as outras tentações da internet. “Se eu desse uma dica ao leitor, seria começar o dia com uma cópia impressa, algo que exige uma leitura mais lenta e profunda”, diz ela. 

Com as demandas e o trabalho das nossas vidas, tentar bloquear uma ou duas horas para sair da rede e ler pode ser um desafio. Escolher um período curto (como 20 minutos), pode ser mais fácil de se encaixar em uma agenda lotada, além de ser menos desgastante.

Uma leitura mais ativa (aquela em que você faz anotações, relaciona os eventos do texto com acontecimentos reais e conversa com outras pessoas sobre aquele assunto) também pode ajudar a forjar conexões mentais entre as informações que você está absorvendo e o que já sabe, aumentando sua retenção. 

Isso não significa destacar o que está escrito com um marca-textos, reler ou redigitar o que você está lendo, mas se engajar com o conteúdo: escreva seus próprios pensamentos, perguntas e conexões que ocorrem com você, em forma de comentários ou notas.

Wolf acrescenta: “o bom leitor vai além do conhecimento, além das emoções e da tomada de perspectiva, para um reino onde o mais distante alcance de nossos pensamentos pode ser gerado.” O objetivo final da leitura não deve ser apenas memorização, mas reflexão e crítica.

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